…então ele tinha que começar, começou e não parou mais… e começou a olhar e o que olhava colava na retina e dali ele ainda olhava e a retina era o que ele olhava e o que ele olhava estava agora por dentro, refletindo como um lençol de prata, como o nitrato de prata da película do cinema, refletindo e revelando, materializando, atualizando, brilhando… ele olhava e respirava, caminhava e respirava, respirava e olhava… e de tanto olhar se movimentou de outro jeito, do jeito do que ele olhava, ou do jeito que a bandeja de prata segredava que ele se movesse, e era uma invenção, uma invenção que era apenas a flor da devoração que ele engendrara, sem mesmo saber do que estava falando… era uma flor de inocência e de delicadeza, uma flor que devolvia ao mundo a beleza e o delírio dele mesmo, sua incompletude e ignorância, sua pergunta e infâmia…
kike
Depois desta semana de encontro me lembrei de uma anotação que fiz durante o processo de um trabalho: nunca olhamos uma só coisa sempre olhamos a relação entre as coisas e nós mesmos. Ver o outro é estar refletindo sobre si mesmo.
Beijos Coletivo e até o proximo encontro .