Otro: Chacal

PARA O OUTRO, CAMINHO /  POR UM OUTRO CAMINHO

Acabo de chegar do sérgio porto. Fui ver a peça “otro”. Fiquei desorientado. Ri e chorei muito. Percebi, como um cego no meio do tiroteio, a marca desse tempo sujeito a todas as tempestades. Não mais as grandes narrativas, chiclete abissal que te espanca agora em 3D. Mas as mínimas histórias, pequenas narrativas pessoais ou sobre outros, tão sem importância como nós. Histórias nascem, crescem e morrem ao sabor das ondas, de corpos trincados ao som de Frank Sinatra. Mundo sinistro. Sem nenhuma utopia ou direção. A vida como ela é. Sem glamour e muitos objetos de cena.

O desespero e a maquinaria desmontada das histórias. O desespero de se inventar sujeito num mundo de verbos intransitivos sem predicados. Não somos ninguém mas sabemos exatamente como inventar uma história. E nos vingamos daquel’outra com agá maiúsculo que sempre nos reservou o papel de fanta-nada. rimos da própria desgraça de não ser e vamos sendo sem grandes planos, mais ligados nos pixels do que no painel pânico de uma História que sempre nos foi negada. E pixel aqui, pixel acolá, vamos juntando os caquinhos e inventando sempre um outro caminho.

Chacal em 02 de maio de 2010
http://chacalog.zip.net

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